Morre aos 89 anos Índio, o cabedelense mais ilustre no esporte brasileiro

Faleceu na tarde deste domingo (19) o cabedelense Aluísio Francisco da Luz, conhecido no meio esportivo como “Índio”.

O jogador cabedelense nasceu em 1 de março de 1931 e chegou a morar na rua Juarez Távora, na casa de uma tia conhecida como dona Déa. Ainda criança, frequentava o então famoso Campo da Borboleta. O local ficava onde hoje é o Hospital Geral de Cabedelo e a escola José Guedes Cavalcanti, uma área descampada de areia usada para prática de peladas.

Índio durante homenagem feita pelo Flamengo.

Aos quatro anos de idade fica órfão de pai, juntamente com mais oito irmãos, passando por sérias necessidades financeiras, pois, na época, Cabedelo não possuía nenhuma opção de trabalho, a não ser a pesca ou uma rara oportunidade de emprego na Great Western (empresa ferroviária que operou até 1957, quando o Governo Federal criou a Rede Ferroviária Federal S/A- RFFSA).

Com a morte do pai e vendo a situação precária em que passava a mãe e os oito irmãos, o irmão mais velho de Índio, então, que servia à Marinha do Brasil, mandou buscar a mãe e mais dois irmãos (os demais foram depois). Assim, índio deixava Cabedelo para morar no Rio de Janeiro, em Madureira, onde ali formaria morada até o último dia da sua vida.

Ao chegar no Rio, (…) “eu fui para a escola, meu irmão me botou na escola, e lá então tinha o futebol que as crianças brincavam e eu fiquei brincando com eles ali e acabei, sabe, dando para o futebol”, lembra Índio, durante uma entrevista realizada há alguns anos.

Na ocasião, ao ser perguntado como teria iniciado a jogr nos times profissionais, índio relembrou:

(…) Eu treinava em um time chamado São José, jogava aonde jogava o Wilson, zagueiro do Vasco… Jogava o Duca, meio-esquerda do Fluminense, jogava o Joaquinzinho, ponta direita do Bangu. E eu com dezesseis anos jogava com eles, mas eles nunca me levaram para clube nenhum, nem para o Vasco, nem para o Fluminense e nem para o Bangu. Então eu cheguei uma tarde lá, botei a chuteira embaixo do braço e fui ao Bangu, lá no Aliados de Bangu, que era filiada do Bangu. E eu cheguei lá, mas tinha muita gente lá, muita gente…

Por conta própria, e eu tive muita sorte, Deus me ajudou muito. Eu olhei, eu vi muita gente, umas 40 crianças, ou mais até de 40 crianças, eu digo: “Ah, tem muita gente”. Aí eu cheguei lá numa árvore que tinha lá na frente, me sentei e fiquei olhando, não é? Aí o treinador de lá, no meio daquelas crianças todas, ele gritou: “Ei, você aí, sentado aí, em que posição você joga?”. Eu falei: “ponta esquerda”, não é, o primeiro time eu tinha, era magrinho, ai ele falou: “vem cá, toma a camisa”. Aí eu treinei os trinta minutos, terminou os trinta minutos, ele chamou lá um funcionário dele lá, e falou: “olha, vai lá na casa desse menino, pede para o pai dele assinar ele, que ele vai disputar o campeonato pelo Bangu”, assim, índio começou sua carreira no juvenis do Bangú.

Do Bangú para o Flamengo, assim se profissionalizava o cabedelense.

Durante entrevista, índio revela como saiu do Bangú e foi jogar no Flamengo:

(…) joguei pelo Bangu esse final, é, esse campeonato pelo Bangu, mas acontece que eu sempre fui muito favorecido pela sorte, não é? Então eu estava na Ilha do Governador, já tinha ido para a casa do meu irmão na Ilha do Governador.

Havia um treinador de basquete do Flamengo chamado Togo Renan Soares, chamavam ele como Canela, que tinha o apelido de Canela, que além de trinar o time de basquete profissional também era o treinador do profissional de futebol do Flamengo. Então ele foi na Ilha do Governador…

“Chama aquele neguinho…”

Canela comandava tudo. Então na Ilha do Governador ele foi levar a equipe de basquete para jogar lá à noite. Mas aí no domingo, o Engenhoca, que era no meu time onde eu morava lá na Ilha do Governador, tinha um lugar chamado Engenhoca, ali perto da Ribeira. Então eu jogava no Engenhoca. Então naquela tarde ia jogar Engenhoca e Zumbi. Porque o Zumbi era onde ele levou o basquete para jogar com o pessoal do Zumbi. Aí eles falaram: “Olha, Canela, nós vamos fazer um jogo aí, e nós temos jogadores aqui muito bons. Você que dá uma olhada, você pode levar o jogador que você quiser nosso”. Aí ele falou: “Tudo bem”, ele foi. Aí, terminou o primeiro tempo, aí o presidente do clube lá falou: “O que é, Canela, o que você achou? Vai levar quem nosso aí?”, ele falou: “Não, eu gostei foi daquele neguinho que está lá, olha!”. Ele falou: “É o Índio, chama ele lá”, ele falou: “Chama ele para mim”, aí o Canela falou: “Você quer ir para o Flamengo, garoto?”. Aí eu falei: “Olha, não, eu só jogo no Bangu”. Ele falou: “Não tem importância não, nós fazemos a transferência sua, você quer ir?”. Eu digo: “Ah, se for vantagem para mim, eu vou”. Ele falou: “É vantagem sim. Quem é que leva esse garoto na Gávea segunda-feira para mim?”. Aí teve um senhor que falou: “Eu levo”, e na segunda-feira ele me levou, aí eu treinei lá no Flamengo. Aliás, estava até esperado… estava o Zizinho lá, aquela… Mestre Ziza, não é? Que depois veio se tornar um grande amigo meu.

No Juvenil. Ainda joguei dois anos no juvenils. Certo, 1948… eu fui lá em 1948. No fim de 1948, assim que terminou o ano de 1948, aí eu disputei 1949 e 1950 no juvenis.

Aí eu tinha, nesse caso, era dezoito, não é? Dezenove, vinte. Joguei dois anos no juvenil, só, 1949 e 1950. 1951 eu subi para o profissional.

O Flamengo me pagava um ordenado de mil e quinhentos cruzeiros. Mil e quinhentos mil réis, não é, naquela época. Olha, para minha mãe e para mim, pô, eu dei um conforto a minha mãe maravilhoso. Não faltou mais nada para minha mãe. E daí em diante eu segui no Flamengo, na casa do Flamengo até o dia que o Osvaldo Brandão me foi buscar para o Corinthians. ”

Índio se tornou o maior atacante do Flamengo entre 1951 e 1957. O paraibano de Cabedelo marcou 140 gols vestindo rubro-negro e conquistou um tricampeonato carioca. O cabedelense chegou a ser homenageado cinco vezes pelo clube.

Passagem pela Seleção Brasileira

Pela Seleção Brasileira participou da Copa do Mundo de 1954 e do Sul-Americano de 1957. Fez 10 jogos e 5 gols com a amarelinha. Pela Seleção Brasileira, o seu gol mais importante foi contra o Peru pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958. O jogo foi 1 x 1 em Lima e na volta o Brasil venceu por 1 x 0 com uma “folha-seca” de Didi.

Índio ganhou 14 Títulos jogando pelo Flamengo, 02 Títulos jogando pelo América do RJ e 02 Títulos pela Seleção Brasileira Super clássico da América de 1957 e a Taça Atlântico de 1957.

Sua importância e contribuição no Esporte Brasileiro

Índio foi o jogador da seleção brasileira que participou da Copa do Mundo da FIFA de Futebol, na Suíça em 1954; Fez 15 Gols com a camisa amarelinha e classificou o Brasil com um gol de desempate: Peru 1 x 1 Brasil para a Copa do Mundo Fifa de Futebol, na sexta edição da Copa do Mundo que foi realizada na Suécia em 1958.

Índio é o décimo maior artilheiro da história do Flamengo e foi o maior atacante do Clube Regata Flamengo, entre 1951 e 1957. O paraibano de Cabedelo marcou 140 gols vestindo rubro-negro e conquistou um tricampeonato carioca.

Desde 2013, Índio, que defendeu o clube entre 1951 e 1957, foi homenageado cinco vezes pelo clube. Seja pelo seu aniversário (nasceu em 1º de março de 1931) ou em outros eventos do Flamengo. A família enlutada desconhece a causa da morte do ex-atleta, até o final dessa redação não tinha saído o laudo médico.

As homenagens feitas pelo Flamengo sempre foram organizadas por Sandro Rilho, que encontra-se internado por conta do COVID 19. A imprensa nacional aguarda o Nota Oficial do Flamengo através de Bruno Lucena, coordenador do Patrimônio Histórico do Rubro-Negro.

Carreira Profissional

Sua carreira de jogador profissional durou 18 anos ou seja, de 1947 a 1965. Índio como jogador profissional passou pelos clubes: 1) Bangu (1947–1949); 2) Flamengo (1949–1957, participou de 202 jogos e fez 134 Gols); 3) Corinthians (1957–1959, participou de 101 jogos e fez 52 Gols); 4) Espanyol (1960–1964); 5) América do RJ (1964–1965) e na seleção brasileira (1954–1957, participou 10 jogos e 5 Gols). Ainda pela Seleção Brasileira de Futebol participou da Copa do Mundo FIFA de 1954.

Na sua gloriosa carreira, Índio ainda defendeu o América, onde encerrou a sua carreira em 1965, e o Bangu, ambos no futebol do Rio, além do Espanyol.

A morte do cabedelense índio foi destaque nos principais veículos de comunicação do pais.

A morte do cabedelense foi destaque nos principais jornais do pais:

Morre Índio, décimo maior artilheiro da história do Flamengo ( O Globo);

Ex-jogador do Flamengo, Índio morre aos 89 anos (Jovem Pan);

Décimo maior artilheiro da história do Flamengo, Índio morre aos 89 anos (Globo Esporte);

“É com muita tristeza que o Clube de Regatas do Flamengo comunica o falecimento do ídolo Índio, que nos deixou neste domingo, aos 89 anos. Com o Manto Sagrado, ele conquistou o Tricampeonato Carioca (1953, 1954, 1955), disputou 217 jogos e marcou 140 gols. Muita força aos familiares e amigos neste momento tão difícil. Descanse em paz, craque!”, publicou o Flamengo em seu perfil no Twitter.

Como está hoje a casa onde Índio morou até os cinco anos de idade, na rua Juarez Távora. Na casa da esquerda, ficava a casa de dona Déa, tia do atleta.

Do Soltando O Verbo com informações do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil.

Imagens da Internet

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