ENTREVISTA: Cabedelense supera seus limites físicos e conta o que espera para Cabedelo

Não há nada melhor do que superar o seu maior adversário: você mesmo. Superação significa, literalmente, a ação de estar acima, sobressair-se, dominar, vencer. … E não há nada melhor do que superar o seu maior adversário: você mesmo.

O Soltando O Verbo traz uma entrevista exclusiva com o atleta paraolímpico Marcos Rocha, um cabedelense do bairro de Camalaú que, sem apoio e incentivos, teve que sair da sua cidade natal, superou seus desafios e deu exemplo de superação e cidadania. Conheça agora a história de Marcos da Costa Rocha, um deficiente físico que não desiste de conquistar seus sonhos.

Marcos Rocha, aos 6 anos de idade: “Sem a escola, não teria chegado onde cheguei”

Marcos Rocha conta, que sua diversão era jogar futebol, “essa era a melhor diversão de todas entre todas as brincadeira, onde eu aprendi a superar os meus limites e os obstáculos do preconceito”, conta Marcos Rocha, carinhosamente conhecido como Cacá. Sou grato aos meus pais que me deram educação e acesso à escola. Sem a escola eu não teria chegado onde cheguei.

O jornalista Wellington Costa, entrevistou o cabedelense, filho de dona Marlene da Cosa Rocha e do seu Messias Gomes da Rocha. Marcos, que não se curva para as dificuldades, sonha e corre atrás dos seus sonhos, vencendo os desafios e o preconceito de quem é deficiente físico, dando exemplo a muita gente. Acompanhe:

SV: A partir de que momento da sua vida você percebeu as dificuldades?

MARCOS: A partir do momento que a sociedade não entendia que a pessoa com deficiência tinha direito de viver uma vida de igualdade.

SV: Apesar de pertencer a uma família grande, todos os seus irmãos tiveram acesso a escola, mas apenas você se sobressaiu nos estudos. A que você atribui isso?

Marcos: Na verdade eu precisei olhar para mim e dizer: eu quero e eu posso. Eu também desafiei médicos e professores, pois sou da época em que o deficiente era considerado um doente.

SV: Quais as principais dificuldades que você encontrou por ter limitações físicas?

Marcos: É o respeito do órgão público que onde eu morava (Cabedelo) nunca existiu. Nunca houve um trabalho voltado pela causa da pessoa com deficiência, isso eu falo no modo geral, e até os dias de hoje não vi um interesse do poder público por essa causa.

SV: Qual sua trajetória até chegar aonde está hoje?

Marcos: Eu comecei no futebol. Eu havia feito uma cirurgia no pé direito e precisava fazer alguma atividade física para melhorar, então optei pelo futebol. Depois conheci as associações de deficiência entrei na natação e no futebol de salão de deficiência física fui campeão paraibano do futebol de salão 5 vezes 4 com associação da FCD (Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência) e 1 com a FUNAD (Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência) e natação, Tive 3 medalhas conquistada em Natal-RN no regional e aqui em Minas Gerais, só tive resultado no JIMI, uma espécie de Campeonato Mineiro para quem tem algum tipo de deficiência, e um jogo estadual de São Paulo.

SV: O que lhe levou a sair de Cabedelo e ir morar em outro Estado?

Marcos: A falta de apoio do Poder Público. Em Cabedelo nunca existiu um trabalho de alto rendimento da natação. Já em nível  Estadual, a FUNAD (Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência) que um órgão do Governo do Estado, engavetou projetos de melhorias no esporte paraolímpico em várias modalidades, e foi isso que me fez sair por falta de interesse público.

SV: Na sua visão, o que falta em Cabedelo para melhor atender as pessoas com deficiência?

Marcos: Acho que há muito a ser feito, da acessibilidade até um trabalho de educação. Falta existir um Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência formado por pessoas que sentem na pele as dificuldades da pessoa com deficiência. Se você tem um órgão de esportes, você espera ver um atleta coordenando. Numa secretaria de saúde, esperamos ver um médico. Num órgão responsável por políticas públicas para pessoas com deficiência, você nunca ver um deficiente à frente, por que? Não somos capazes? Precisamos desses órgãos dentro do Poder Público. Um exemplo de bandeira de luta são  as empresas de transporte coletivo, para que tenham mais respeito com todos em geral.

SV:  Geralmente  as pessoas que coordenam instituições públicas voltadas para os deficientes são pessoas indicadas por políticos. Geralmente estas indicações são acertadas?

Marcos: Não. è como falei. Vou dar o exemplo da FUNAD. Deixa muito a desejar em relação ao muito que tem quer ser feito pelas pessoas com deficiência, pois lá, na administração só há pessoas ditas “normais”, que não supre as necessidades do que realmente deve ser feito. É como se quem tem deficiência não tenha capacidade de assumir cargos administrativos por lá. Não vemos deficientes físicos na direção. ora, quem sabe o que precisamos somos nós.



SV:  Qual a sua atividade hoje?

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Marcos: Hoje estou fazendo parte do Conselho Municipal de Esportes de Uberlândia- MG, e continuo treinando natação e se Deus quiser, muito em breve irei em Cabedelo incentivar a prática de esportes para pessoas com deficiência física e paralisia cerebral.

SV:  O que você diria para um jovem com deficiência ?

Marcos: Não desista.   Seja perseverante nos seus objetivos. Fácil, não será, nunca foi; mas também jamais será impossível.

SV: Você ainda tem sonhos a realizar?

Marcos: Tenho, mas esse sonho ainda estou acreditando que um dia verei em Cabedelo. Um trabalho com as pessoas com deficiência. Esse é um dos outros projetos que ainda está engatinhando e que sonho em realizar.

SV:  Que conselho ou crítica você faria para o Poder Público com relação ao atendimento ás pessoas com deficiência?

Marcos: Eu queria que se trabalhasse de verdade e não fizesse um trabalho de interesse próprio, político, com atitudes de querer atingir a satisfação da pessoa com deficiência e não seus interesses políticos.

SV:  Você teria algum sonho para ver realizado em Cabedelo para as pessoas com deficiência?

Marcos: Ter uma cidade acessível onde as pessoas com deficiência pudessem dizer: que lugar bom de se viver. Onde existisse trabalho e atividades onde o povo e as famílias  de Cabedelo pudessem reconhecer o valor e o orgulho por ter uma pessoa com deficiência na família. Mas o que vemos é uma cidade em que as pessoas com deficiência não conseguem sequer andar nas calçadas. Não há acessibilidade nem nos órgãos públicos.

SV:  Você pretende voltar e trabalhar em Cabedelo?

Marcos: Futuramente, sim. Ainda conservo sonhos a partilhar com minha gente.

SV:  Você apesar das suas limitações se destacou no esporte. Fale um pouco sobre isso.

Marcos: Eu não diria que me destaquei, mas fiz o meu melhor. Muitas coisas ocorreram para que os resultados fossem o que eu esperava, porém, me considero mais que vencedor é superando a vida que se vence.

SV: Que Cabedelo você sonha para o futuro?

Marcos: Sonho com uma cidade desenvolvida, que cresça, não caia na mesmice do toma lá dá cá, e que a gestão administre pra o povo, respeite o nosso povo e principalmente as pessoas com deficiência e idosos.

SV: Atualmente, como você ver a cidade de Cabedelo tão citada na imprensa por causa da corrupção na política?

Marcos: É muito triste de ver uma cidade que tem tudo pra se desenvolver onde é admirada por pessoas daqui de Minas Gerais pelas beleza naturais, ver que os administradores com autobenefícios do dinheiro do povo. É triste e vergonhoso.

Gostaria só de acrescentar que quando volto a Cabedelo, sempre vejo com tristeza que nada mudou em ver que a administração não tem qualquer interesse de mudar seus conceitos que pessoas com deficiência existe, e nunca é colocado como prioridade de uma administração. Isso quando vou pra Cabedelo me deixa triste.

3 thoughts on “ENTREVISTA: Cabedelense supera seus limites físicos e conta o que espera para Cabedelo

  1. Meu amigo Cacá. Grande exemplo e orgulho! Que saudades do tempo que jogávamos “Barra Dupla” no fundo do quintal da sua casa. Grade abraço.

  2. Salve salve grande Msrcos! Meu aluno de musculação!! Parabéns sempre! Eu sou testemunho da sua garra com a sua vida esportiva, sempre ativo na natação e musculação. Você é um exemplo e também uma pessoa inteligente!! Continue firme nessa pegada!! Que Deus te abençõe mais e mais!!!

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