TOMARA QUE A MODA PEGUE: Petroleiros do RN vendem gás de cozinha a R$ 40 durante protesto em Natal

Em greve há 14 dias, um grupo de funcionários da Petrobras decidiu, na manhã desta sexta-feira (14), vender 300 botijões de gás de cozinha a R$ 40 cada. Em média, o botijão custa R$ 70. De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro), a manifestação é uma ação em defesa da permanência da estatal no estado.

Desde as 5h da manhã, a população começou a fazer filas em frente à unidade da Petrobras na Capital Potiguar. Em menos de três horas, todos os botijões foram vendidos.

“Queremos chamar a atenção da população potiguar para a importância da manutenção das atividades da Petrobras no estado e no país, de manter a produção das unidades. Estamos em greve há 14 dias levantando a discussão com a sociedade, não pela exclusividade da Petrobras, mas para a existência da Petrobras como motor de desenvolvimento”, defendeu Ivis Corsino, presidente do Sindicato.

Além de Natal, Fortaleza também teve uma ação parecida na manhã desta sexta-feira (14), segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP). A manifestação foi denominada Campanha dos Combustíveis a Preço Justo.

“A política de preços adotada pela Petrobrás para os combustíveis, seja gasolina, óleo diesel ou gás de cozinha, pesa muito no bolso do consumidor. Desde 2016, os preços dos combustíveis no Brasil seguem as variações do mercado internacional. Com isso, ficam vulneráveis a crises no exterior, como a do início do ano entre o Irã e os Estados Unidos. O quadro se agrava com o dólar, que já chegou a R$ 4,30”, informou a federação.

Ainda de acordo com a FUP, a Petrobrás vem reduzindo o uso de suas refinarias. Enquanto há seis anos, as refinarias da empresa operavam com 95% de capacidade, hoje esse número estaria em torno de 70%. “Com isso, o país está importando mais combustíveis e ficando ainda mais exposto ao mercado internacional. E a situação deve piorar, já que a empresa está vendendo oito de suas 15 refinarias”.

Mesmo com a greve, a Petrobras afirma que as unidades operam “em condições adequadas de segurança, com reforço de equipes de contingência”, e que não há impacto na produção. “As entregas de produtos ao mercado também seguem normais”, diz a estatal.

Greve
Em paralisações desde o dia 1º de fevereiro, os petroleiros cobram, como principal reivindicação a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen) previstas para ocorrer nesta sexta (14). Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as demissões devem afetar mais de mil famílias.

Os petroleiros também querem o estabelecimento de negociação com a Petrobras para cumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que, segundo a federação, vem sendo descumpridos. A FNP aponta ainda entre as reivindicações o fim da política de paridade de preços com o mercado internacional.

Em nota divulgada no início da greve, a Petrobras afirmou que o movimento é “descabido” e que tomou as providências necessárias para garantir a continuidade das atividades. De acordo com a estatal, todos os compromissos assumidos na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2019-2020 vêm sendo integralmente cumpridos por parte da empresa.

“As justificativas são infundadas e não preenchem os requisitos legais para o exercício do direito de greve. Os compromissos pactuados entre as partes vêm sendo integralmente cumpridos pela Petrobras em todos os temas destacados pelos sindicatos”, afirmou a Petrobras.

Decisões na Justiça

No último dia 4, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que 90% dos petroleiros da Petrobras continuem trabalhado durante a greve, atendendo parcialmente a um pedido da Petrobras, que solicitou que o tribunal determinasse a suspensão do movimento.

Na decisão, o ministro Ives Gandra Martins Filho determinou que sindicatos que descumprirem a norma terão de pagar multas entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, a depender do porte de cada entidade.

Com a manutenção da greve, na última quinta-feira (6) Martins Filho bloqueou as contas de sindicatos. Na decisão, o ministro afirmou que os sindicatos “não apenas descumpriram a ordem judicial… como promoveram adesão maior de trabalhadores”, ao analisar dados apresentados pela petroleira estatal. O ministro determinou ainda a suspensão do repasse mensal às entidades sindicais, compensando eventuais valores apurados em descumprimento da decisão.

Esta semana, a FUP e seus sindicatos protocolaram um agravo interno junto ao TST pedindo a reconsideração da decisão de Martins Filho.

Soltando O verbo com G1

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