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Seis pessoas já se apresentaram à Polícia Civil para confessar que contrataram a quadrilha presa na Operação Gabarito e conseguiram ser aprovadas de forma ilícita em concursos públicos. De acordo com o delegado Lucas Sá, da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), as investigações já identificaram 70 clientes da organização criminosa.

Durante entrevista à TV Correio, o delegado contou que as pessoas que procuraram a polícia espontaneamente não devem ser presas ao longo das investigações.

“Essas apresentações vão ser levadas em consideração pela Justiça, no sentido de que eles estão colaborando e talvez, dessa maneira, eles não precisem ficar presos temporariamente ou cautelarmente. Todos os envolvidos vão responder sim a processos criminais, mas se eles se apresentarem e colaborarem, isso vai atenuar a situação e fazer com que eles não sejam presos no decorrer do processo”, informou Lucas Sá.

Ainda de acordo com o delegado, todas as pessoas que compraram gabaritos de concursos vão perder seus cargos ou nem chegarão a ser nomeados, caso essa etapa ainda não tenha chegado.

“Eles vão ser alvos de processos nas esferas criminais, administrativas cíveis perante a Procuradoria do Estado para que devolvam os valores que obtiveram de maneira criminosa”, completou.

Lucas Sá ainda disse que membros da quadrilha que ainda não foram presos e pessoas beneficiadas que não se apresentarem serão alvos de novas fases da Operação Gabarito.

MAIS DETALHES

O delegado Lucas Sá (foto) , responsável pela condução da Operação Gabarito, que prendeu várias pessoas sob a acusação de fraudes em concursos no Nordeste, contou no último dia 15, detalhes da organização criminosa. De acordo com o delegado, os acusados se organizam em três núcleos que abrangem todo o Nordeste.

O núcleo 1 estava localizado na Paraíba e no Rio Grande do Norte, o núcleo 2 e, Alagoas e Pernambuco e o núcleo 3 compreendia Maranhão, Piauí e outros estados da região.

Estima-se que a quadrilha está na ativa há pelo menos uma década. Mais de 400 pessoas teriam sido beneficiadas pelo esquema, gerando uma receita de R$ 12 milhões para os acusados envolvidos na organização das fraudes.

Cada candidato recebia o gabarito da prova na hora da aplicação do exame, através de ponto eletrônico. Além disso, diplomas falsificados e outras qualificações exigidas para a assumir o cargo concorrido.

O delegado citou alguns dos concursos sob suspeita: Guarda Municipal (João Pessoa, Bayeux, Cabedelo), Prefeituras Municipais (João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e outras cidades da Paraíba), Câmara Municipal de João Pessoa, Corpo De Bombeiros da Paraíba, Polícia Militar da Paraíba e diversos outros concursos, a nível municipal, estadual e federal.